O despertar para fé

A experiência do despertar para a fé passa pela experiência de conhecer mais sobre a vida cristã, bem como compreender a beleza da nossa Igreja. Muitas vezes, num primeiro instante, mesmo sem saber muito onde estamos e o que é verdadeiramente a Igreja Católica, vive-se a experiência, vive-se o despertar. Alguma experiência espiritual marcante, o seu encontro pessoal com Cristo, sem, nem ao certo, saber até mesmo regras ou normas da religião em si.

O despertar para fé

Créditos: Sakorn Sukkasemsakorn by Getty Images

O despertar para fé

Num segundo momento, somos convidados a fazer uma experiência catequética, compreendendo a missão pastoral da Igreja, a busca das razões de crer, da experiência de vida cristã, a preparação (quando for o caso) e a celebração dos sacramentos e fazer a experiência na participação da vida na comunidade paroquial. O que poderia ser sido como um apaixonar-se, vai, aos poucos, tornando-se amor, conhecendo mais e aprofundando-se na vida com a Igreja.

O Catecismo da Igreja Católica (CIC) é claro ao expressar a importância do conhecer para compreender. No parágrafo 158, ressalta:  “A fé procura compreender”. Conhecer mais onde colocamos nosso olhar de esperança, faz com que possamos nos apaixonar mais e defendamos Aquele em quem colocamos nossa fé. Quanto mais conhecemos, mais despertaremos nossa fé e mais ardente será nosso amor: a graça da fé abre “os olhos do coração” (Ef 1,18).

O despertar para fé é pessoal

A fé sempre é algo pessoal. Não conseguimos nem devemos comparar pessoas e suas formas de experimentar o sagrado, o espiritual, o transcendente. Vai além de algo momentâneo e fantástico ou surpreendente. Por vezes, esperamos que algo imenso nos ocorra para que possamos despertar para a fé, o que, muitas vezes, se dá de forma sutil, delicada, discreta. Ultrapassar os limites do momento, do impacto da experiência momentânea e até emocional, é o que sustentará e dará sentido às experiências de fé.

A partir do despertar da fé, é importante que nos tornemos curiosos em saber mais, em estudar mais. Alguém que ama cozinhar, vai se interessar por explorar novos sabores, receitas, combinações.  Ao amar um amigo, temos curiosidade em saber seus interesses, suas alegrias, repartir suas tristezas, conhecer sua história de vida. Com a fé não deve ser diferente: é partir do aprofundamento catequético em ler, em saber das riquezas de nossa Igreja que poderemos compreender. Trazer para o racional — o que inicialmente traz consigo o emocional —, nos torna ainda mais fiéis ao que acreditamos.

Caminhando para águas mais profundas

A razão, por si só, é fria. A emoção, por si só, pode ser temporal e até mesmo imediatista. É no encontro de fé e razão que se dá a perpetuação de nossa fé. “A razão e a fé andam juntas, uma precisa da outra” (cf. São João Paulo II, Fides et Ratio). Um coração inquieto e curioso firmará sua fé e sua experiência no conhecimento, para que, mesmo quando não houver certeza do que se vive nem tão pouco compreensão, não se dê as costas como um menino birrento que não teve suas vontades satisfeitas em seu tempo, mas, no tempo de Deus. Viver a fé, depois do despertar, é viver um novo modo de ser, com um novo olhar sobre a vida e seus acontecimentos. Que possamos sempre renovar nossa fé e não nos contentamos em viver uma experiência rasa, caminhando para águas mais profundas.

Um abraço fraterno!

Elaine Ribeiro

@elaineribeiro_psicologa

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