Quem são os santos? Modelos? Intercessores? Heróis da fé? Tudo isso, sim. Mas, acima de tudo, os santos são testemunhas vivas de que o Evangelho é vivo e sempre atual.

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Em um tempo em que muitos acham que a santidade é inalcançável ou reservada a uma elite espiritual, os santos nos olham com ternura e nos dizem: “Coragem! Nós também começamos do zero.”
Estudar a vida dos santos nunca deve ser um exercício puramente acadêmico
Embora suas biografias sejam fascinantes e seus escritos teologicamente profundos, eles não foram canonizados porque sabiam muito, mas porque amaram muito (cf. Lc 7,47).
O correto, ao lermos sobre Santa Teresinha, São Francisco de Assis ou Santo Inácio de Loyola, não é dizer “Que interessante!” ou “Que bonito!”. Mas perguntar: “O que posso aprender aqui para minha vida espiritual ser melhor?”
Essa é a postura de quem busca os santos como mestres da vida interior, e não como personagens de um passado inalcançável.
Isso porque os santos refletem, cada um à sua maneira, o rosto de Cristo. São como vitrais em uma catedral: a luz é sempre a mesma — a luz de Cristo —, mas ganha tons e matizes conforme atravessa suas almas únicas.
Por isso não há um modelo único de santidade
Há santidade no silêncio de José, na força de Catarina de Sena, na doçura de Teresinha, na lógica de Tomás de Aquino, na ousadia de Francisco Xavier. E todos eles nos ensinam verdades esquecidas, práticas negligenciadas, virtudes que hoje parecem frágeis ou antiquadas, mas que são eternas.
O estudo da vida dos santos deveria provocar em nós uma santa inquietação: Estou amando a Deus como posso? Tenho sido fiel nas pequenas coisas? Onde preciso me converter hoje?
Os santos não são monumentos, mas espelhos vivos que revelam o que Deus pode fazer com um coração entregue
Em vez de nos distanciarmos deles, deveríamos sentir mais esperança: se Deus fez isso neles, pode também fazê-lo em mim.
Santa Teresa d’Ávila dizia: “É de grandíssimo proveito considerar a vida dos santos, porque nos acende muito o ânimo”. E São João Paulo II afirmou que “a vida dos santos é a melhor catequese”.
Na confusão dos nossos dias, quando tantas vozes falam ao mesmo tempo, os santos são como bússolas que apontam invariavelmente para Cristo. Eles não nos tiram do caminho, nos firmam nele. E, mais do que tudo, caminham conosco, se os invocamos com fé.
Então, se você deseja crescer espiritualmente, abra mais do que livros: abra o coração e a vida dos santos. Não para admirá-los à distância, mas para se deixar transformar pela presença viva de quem já trilhou o caminho da santidade — e agora o espera na estrada.
Porque o céu não é para poucos; ele é para todos aqueles que amam.
Flávio Crepaldi
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