A agonia da ingratidão se dá frente àquilo que nós projetamos no contato com o outro. A dor mais profunda que um coração pode sentir não é aquela dor causada por uma ferida física, mas sim pela ingratidão daqueles a quem mais se ama. Foi essa a agonia que Jesus experimentou no Getsêmani, quando, ao prever o peso dos pecados da humanidade, suou sangue diante do sofrimento iminente. Não era apenas o medo da cruz que O afligia, mas sim a frieza e a indiferença dos que Ele veio salvar.

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E por um momento, um pequeno instante, podemos imaginar o tamanho, a grandeza desse sofrimento: aquele que tanto amou, aquele que veio por nós e para nós, viu-se rejeitado, traído e abandonado. E a agonia da ingratidão, não se deu apenas apenas por Judas, que por algumas moedas O entregou aos inimigos, mas por todos aqueles que, ao longo dos séculos, recusariam Seu amor e Seu sacrifício. Ele contemplava as inúmeras vezes em que Seu nome seria ignorado, Suas palavras esquecidas, Seu sacrifício desprezado.
Essa ingratidão era um peso capaz de fazer o Filho de Deus suar gotas de sangue
Sua angústia não vinha do temor da dor física, mas da certeza de que muitos corações permaneceriam fechados para Sua graça. Mesmo diante dessa previsão, Ele não recuou. Seguiu adiante, aceitou o cálice amargo e entregou-Se por amor.
O suor de sangue do Getsêmani é um testemunho da intensidade de Seu amor e da dor causada pela ingratidão humana. No entanto, sua entrega prova que, apesar da rejeição, Ele jamais desistiu de nós. Assim também, cada um de nós, em nossas realidades cotidianas, devemos viver a transformação de vida dada pelo arrependimento, pela conversão de nossas atitudes, pela gratidão que necessita ter uma porta aberta em nossa vida.
Neste tempo quaresmal somos convidados a pensar na forma como temos conduzido nossa vida, nossos apegos, nossas necessidades, nossas dependências, nossos excessos, tudo aquilo que possa ofender a Deus e ao outro. Que sejamos curados da nossa indiferença, da frieza espiritual, até mesmo da cegueira que nos impede de ver o bem, o bom, o belo e o saudável, e no lugar, colocamos tudo aquilo que ofende a Deus, ao outro e a nós mesmos.
Que essa cena nos desperte à gratidão e ao arrependimento, para que Seu sacrifício não seja em vão em nossas vidas
Que possamos corresponder a esse amor imenso, dando-Lhe o lugar que Lhe é devido em nossos corações. Que nossa resposta não seja a indiferença, mas sim a entrega sincera a Quem tanto nos amou e sofreu por nós.
Um abraço fraterno!
Elaine Ribeiro
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