A fidelidade não é apenas estar perto

A fidelidade não é apenas estar perto ou debaixo do mesmo teto. A fidelidade não é ir levando a vida, como que no modo automático, com um jeito apagado, naquela rotina sem graça, cheia de mornidão. A fidelidade não é estar por estar. É estar porque eu escolhi estar, porque eu escolhi ficar, porque eu escolhi a outra pessoa, uma causa, um trabalho, uma amizade, uma situação, uma vocação.

A fidelidade não é apenas estar perto

Créditos: FG Trade / GettyImagens

A fidelidade não é apenas estar perto

Viver a fidelidade por osmose, ou seja, porque estou vivo e respiro, traz um conjunto de sentimentos e atitudes que estão ligadas diretamente a uma falta. Falta de afeto, falta de amor, falta de cumplicidade. Todas essas faltas vão gerar falta de respeito, falta de atitude, falta de iniciativa. E, desse modo, por tantas “faltas” acumuladas, vamos perdendo o sentido. E sem sentido, parece que a fidelidade também vive a falta de sentido.

A fidelidade na vida, especialmente na vida familiar, não é apenas um sonho, uma fantasia de contos de fadas, mas é o olhar atento a todos os momentos que nos dispusemos a viver

São Josemaria Escrivá dizia aos casais de qualquer idade que deveriam tratar-se, um ao outro, como se fossem sempre noivos. E por que será? Porque noivos trazem as expectativas, o olhar feliz e dedicado, a alegria com as pequenas conquistas, a superação das adversidades comemorada a cada dia. A sabedoria de Josemaria Escrivá traz ainda esta reflexão: “Não esqueçam – dizia-lhes −, que o segredo da felicidade conjugal está no cotidiano, não em sonhos. Está em encontrar a alegria escondida de chegarem ao lar; no relacionamento afetuoso com os filhos; no trabalho de todos os dias, em que toda a família colabora; no bom humor perante as dificuldades, que é preciso enfrentar com espírito esportivo”. 

E é assim que reforço na reflexão de hoje que a fidelidade não é apenas estar perto: assuma a missão que você tem, seja casado, amigo, trabalhador, vocacionado, religioso, sacerdote. Tenha planos, pense no futuro, tenha ações no presente, persista, recomece. Se amor é doação, vale apena doar-se com dedicação e empenho, mesmo nos momentos de desânimo. “Já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Entra na alegria do teu Senhor” (Mt 25, 21).

Um abraço fraterno!

Elaine Ribeiro, psicóloga

Instagram @elaineribeiro_psicologa

 

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